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17 de Setembro de 2019
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    Dia Internacional da Mulher

    A grande mãe chora

    Elson Araujo, Estudante
    Publicado por Elson Araujo
    há 6 meses

    O dia é de comemoração, mas também de reflexão. O mundo, poeticamente falando, é mais feminino do que masculino a começar pelo nome do nosso planeta. A Terra é uma grande mãe que certamente se conseguisse pronunciar algum signo verbal diria - “ filhinhos tenham juízo! Parem com toda essa violência. Não estou nada feliz com alguns de vocês que espancam, estupram e estão matando minhas filhas. Meu coração está partido com tudo isso”.

    Por que tanta violência contra a mulher ? Seria por inveja do seu papel {global} cada dia vanguardista ou, por não mais se sujeitar como antes à posição de subserviência?

    É justo destacar que a luta das mulheres por igualdade, respeito; contra a discriminação e todo tipo de violência , é milenar. Ao longo dos séculos muitas perderam a vida para que algumas conquistas estejam hoje presente no mundo ocidental sendo comemoradas. Esse histórico é de ser respeitado por todos.

    Acompanha-se diariamente o anúncio das lutas das mulheres daqui desse lado do Planeta, e até no fechado oriente médio. Quem ainda não ouviu a história da estudante paquistanesa Malala Yousafzai conhecida e reconhecida internacionalmente como ativista pelos direitos à educação e o direito das mulheres? A luta por igualdade de gênero, mercado de trabalho, espaço político, respeito, e contra a discriminação, não é nova, tem sido intermitente.

    De fato, ao se debruçar os olhos sobre a história da luta da mulher veremos muitos avanços e que muita coisa mudou. Em se tratando de Brasil esses direitos conquistados acabaram positivados na Constituição e nas leis infraconstitucionais como a Lei Maria da Penha, a criação do tipo penal do feminicídio e a mais recente lei contra a chamada “ importunação sexual”.

    Fora a violência física e psicológica há um outro tipo de violência a que a mulher brasileira é submetida diariamente que inunda o inconsciente coletivo dos conceitos mais deprimentes sobre elas; conceitos esses decorrentes da indústria pornográfica da música constituindo-se num verdadeiro dano moral social aos olhos e ouvidos de todos.

    Há quatro anos, para documentar, escrevi um artigo sobre o tema. De lá para cá a coisa fez foi piorar.

    O caso é sério porque atinge profundamente a dignidade da pessoa humana, e o ruí m é que tudo é visto e ouvido passivamente; diferente de alguns países da Europa onde esse tipo de violência vai parar nos tribunais.

    Não tenho dúvida de que um estudo bem aprimorado acabará por revelar que os dejetos dessa indústria que correm todos dias pelas rádios do País apresentam algum grau de influência nessa nova onda de violência física contra a mulher que varre o Brasil.

    A Constituição Federal Brasileira em pelo menos cinco incisos do famoso artigo 5, (IV, VI, VII, VIII e IX) garante a livre manifestação do pensamento, que se tornou uma espécie de sacramento quando se fala de liberdade, mas também abriga ressalvas como interpreta o constitucionalista e ministro do Supremo Tribunal Federal –STF Alexandre de Moraes que diz que a liberdade de manifestação de pensamento não exime a possibilidade de apreciação pelo Poder Judiciário qualquer eventual responsabilização civil ou criminal.

    Temos visto nos últimos anos “ hits” que expõe a mulher da pior maneira possível ser alçado ao topo das músicas mais bem executadas nas rádios do País. O que dizer desses versos do MC Pano Abre as pernas e relaxa vem por cima e senta, senta senta... Ou deste outro funk: Vem amor, bate, não para, com o peru na minha cara. Bate, bate com o peru na minha cara.

    Este é apenas um dos muitos exemplos O sertanejo, além de sua vertente romântica e inocente, sempre apostou nesse tipo de composição degradante e duplo sentido. A dupla Gino e Geno aparece com esta:

    Eu Já Fui de Você

    “Eu só fui de você, eu não fui de mais ninguém Você me fez feliz e eu te fiz feliz também Eu já fui de você, eu já fui de você Meu amor eu não me esqueço que eu já fui de você”

    E essa outra de Felipe e Falcão.

    Monzão no Pau

    Eu não entendo eu já lhe dei uno zero Um picasso amarelo tá devendo na cidade Tô com vergonha com os amigos pegou mal Porque ela vive andando Com o seu monzão no pau”

    O que parece num primeiro momento engraçado é como parte da indústria da música brasileira trabalha hoje a imagem da mulher: é xingamento que não acaba mais, e o danado é que muitas ainda vibram, pulam dançam, num tácito aceite das agressões.

    Diante de tudo isso, imagino a Mãe Terra derramando-se em lágrimas se perguntando “ onde foi que eu errei ? E ao mesmo tempo vertendo lágrimas de saudade do tempo em que a mulher brasileira era exaltada pelos compositores/poetas como por exemplo Pinxinguinha o autor de Rosa e Carinhoso

    Em carinhoso o compositor se derrete todo.

    Vem, vem, vem, vem Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus Vem matar essa paixão que me devora o coração E só assim então serei feliz Bem feliz

    Já em Rosas o compositor aparece com esse poema:

    Tu és divina e graciosa Estátua majestosa do amor Por Deus esculturada E formada com ardor Da alma da mais linda flor De mais ativo olor Que na vida é preferida pelo beija-flor Se Deus me fora tão clemente Aqui nesse ambiente de luz Formada numa tela deslumbrante e bela Teu coração junto ao meu lanceado Pregado e crucificado sobre a rósea cruz Do arfante peito teu

    Ao ouvir essas duas canções e viajar na letra do poeta a gente até sente saudades de um tempo não muito distante que a Mãe Terra viveu.

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